quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Adeus




Margot, no dia que chegou em casa
Há pouco mais de um mês minha casa ganhou mais um morador. Após ficar muito sentida por 'perder o espaço' da casa de meu irmão, seu antigo dono, chegava às minhas mãos a pequena, magricela e 'feinha' Margot. No começo, parecia que precisava de tudo: desde atenção até um bom banho, passando por vermífogos e algum remédio para o pêlo, tão sem brilho. A primeira refeição foi digna de dó: comeu tão rápido, mas tão rápido, que numa mesma bocada enfiou quase metade da porção de ração na boca; teve que 'cuspir' tudo e comer de novo, mais devagar, mais tranquila. Ela sentia falta do Sol: em sua primeira manhã na minha casa, ao ver os fraquinhos raios pela janela, não pensou duas vezes.. Foi logo deitando espremidinha num quadradinho de 50cm onde o Sol já chegava ao chão. Além disso, tudo a assustava; mas tudo mesmo. Se estávamos na sala e eu me ajeitava no sofá, ela se levantava, latindo assustada. Qualquer um que chegava na janela era motivo de pânico.
Primeiro 'banho de Sol'
Mas o tempo foi passando, e todos se adaptando àquela nova moradora. Até ela mesma. A refeição já podia ser comida devagar, e só de dizer 'Margot, vamos papar?'ela já levantava e ia, feliz. Nenhuma visita mais assustava. Se era pra sair, ela saía, pra deitar, ela deitava. Em nenhum, nenhum momento sequer ela deixou de nos seguir em casa, sempre acompanhando de perto cada movimento nosso. Ganhou muito peso, os dentes ficaram muito brancos, não tinha mais nenhum verme.. Só o pêlo continuava feio... Compramos xampoos dermatológicos para cães, passamos pomadas cicatrizantes, e nada. Até que um dia, há pouco mais de uma semana, decidi: vamos levá-la no veterinário. Foi aí que tudo mudou. Após exames, foi constatado que ela estava com leishmaniose. E eu acabei tendo que tomar uma das mais triste decisões da minha vida. 
Hoje, cheguei do trabalho, e ela não está mais aqui. Foi embora. E eu me dei conta de que sinto muita falta dela. Tão pequena, tão quietinha, tão boazinha... Mesmo tendo dois grandões me fazendo companhia, a casa ficou vazia. Não foi uma decisão que eu queria ter tomado, mas foi algo que tinha de ser feito. Fico muito, muito triste com como tudo acabou. 

Pequenininha, vá com Deus. Desculpe a Tia, Deus sabe o tanto eu gostava de você, e como eu gostaria que agora você estivesse aqui, olhando para mim com seu cachorrinho azul de plástico na boca. Me perdoe. E São Francisco, receba com carinho mais um anjinho.

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